Achei mesmo que você ía me salvar. olha só que bobeira, eu aqui toda cheia de nunca me apaixonar, nunca me fixar, estava até disposta a deixar minha mania de solidão de lado só porque você tem um sorriso bonito e um jeito todo fofo de ser, só porque disseram que você me queria e eu resolvi querer também, porque nunca quero nada de verdade mesmo, e sempre quis ter vontades.
daí eu achei que pela minha carência, com essa história nova de sentir falta de gente, de carinho e proteção, você seria ideal. eu achei mesmo que podia deixar tudo nas suas mãos: as primeiras atitudes, as segundas atitudes até, as expectativas... mas onde eu estava com a cabeça? desde quando eu sou de apostar todas as fichas em possibilidades vagas? é, minha racionalidade tirou férias e estou louca pra que ela volte. não tenho vocação pra mulherzinha. não sei esperar telefonemas, não sei ler abandono, não consigo lidar com metades que jamais serão repletas. até porque sou uma delas, e bem na hora que decidi que podia tentar - quem sabe - levar algo adiante, tive provas de que estou sozinha, como sempre. cansei de viver relacionamentos individuais.
aquele beijo não foi só um beijo. foi um pedido de desculpas, um desabafo, um desespero, uma exigência de cuidados e atenção. não foi exatamente como beijar você. foi beijar saudades de alguma coisa que eu nunca tive, beijei esperanças, beijei esforços, armadilhas, redenções. não procurei seus braços, procurei abrigo. eu não queria o de sempre, esperava algo novo.
acho realmente deprimente me assitir atrás desses amores que eu crio, me agarrando doentiamente ao que seria bom se existisse, mas me esquecendo de que não é real, nem ao menos é possível. por que é que eu não entendo logo de uma vez o que você me explica com sua ausência? ou você não sabe sentir falta, ou não faz questão da minha presença, e acredito que saudade não é algo que se ensine. eu me satisfaço dos seus sinais frágeis, de suas quase-palavras, seu quase amor. esse amor líquido que é só uma miragem no fundo da minha visão romantizada.
aquele abraço não foi só um abraço. eu era uma criança precisando de um ombro mais forte, um corpo mais alto, costas mais largas. eu quis você como quem quer de volta o conforto do ventre, a segurança e o calor de um corpo puro. eu quis ser filha por alguns segundos porque já estou cansada de fingir a maturidade de um adulto, e na sua altura eu pude ver um abrigo, nos seus braços eu pude sentir. não defino o que sinto porque não acredito em paixão, mas voltaria no tempo e pararia o mundo por esses segundos, e acho que devo dar valor a esse sentimento sem nome e sem correspondência aparente.
eu te deixo ir como quem se desfaz do cobertor preferido porque sabe que uma hora ele estará molhado e a gripe vai derrubar, sabe que será mais difícil largar quando for necessário. eu torço pra que você não retorne a ligação prometida porque assim eu poderia desistir, como sempre desisti. não sou dos amores, mas queria ser. não sou sua, mas até considerei a possibilidade.
agora vai, pra sempre, ou fica de uma vez.
2 comentários:
arrasou como sempre :)
Não sou sua, mas até considerei a possibilidade.
agora vai, pra sempre, ou fica de uma vez... Ne?
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